O que comer quando a caneta tirou a sua fome

Prato branco servido e quase intacto sobre mesa de madeira, com carne desfiada ao molho, arroz e legumes, o garfo largado atravessado na borda.

Um dos efeitos mais comuns da caneta de emagrecimento é também um dos mais estranhos de viver: a fome não aparece mais. Passa a hora do almoço, passa a do jantar, e o corpo não avisa como avisava antes.

Comer deixa de ser vontade e vira tarefa. E comer pouco, ou tarde demais, tem um custo, principalmente pra quem está tentando preservar músculo durante o tratamento.

Fracionar funciona melhor do que pular

Pra quem usa caneta emagrecedora, comer pouco e fracionar as refeições costuma ser uma estratégia muito melhor do que passar muitas horas sem comer. Como a digestão fica mais lenta, porções menores trazem mais conforto e ajudam você a conseguir consumir proteína, fibras e os nutrientes de que precisa, mesmo com pouco apetite.

Pular refeição com frequência dificulta ainda mais o consumo adequado de proteína e calorias, e aumenta o risco de perda de massa muscular, fraqueza e cansaço. O problema não é ficar sem comer uma vez, é o hábito que se forma: comer pouco, com pouca proteína, é exatamente o que acelera a perda de músculo.

Como fica na prática

Em vez de esperar a fome chegar, porque ela pode não chegar, a lógica vira porção pequena em horário mais ou menos fixo, mesmo sem vontade. Não precisa ser refeição completa toda vez, e é aí que a maioria trava, porque “proteína e fibra” no papel não diz o que levar na bolsa.

Pensa em lanche, não em prato. Fora de casa, o que resolve é o que você consegue carregar e comer em cinco minutos, entre uma coisa e outra:

  • Uma bebida proteica pronta, dessas de garrafinha que ficam na geladeira do mercado, com uma fruta. É a saída mais fácil nos dias em que nem mastigar dá vontade, e existem versões sem lactose. O rótulo diz.
  • Um ovo cozido com uma fruta pequena.
  • Iogurte natural com uma colher de aveia.
  • Um punhado de castanhas com uma fruta.

Repare no padrão: sempre uma proteína e sempre alguma fibra junto. Isso não é pra substituir refeição, é pra o horário não passar em branco quando a refeição não vai acontecer.

Nas refeições de verdade, a mesma régua: proteína primeiro, fibra em seguida, e o resto (arroz, massa, o que dá volume) na medida em que o apetite permitir, sem brigar por espaço com os dois primeiros. Porção pequena também é mais fácil de terminar. Um prato cheio na frente de quem está sem fome costuma acabar empurrado pro lado, e aí a refeição inteira se perde.

Um prato pode virar duas refeições

Essa é a parte prática que mais ajuda, e quase ninguém pensa nela: se o apetite está pequeno, um prato não precisa ser uma refeição só.

Os nossos pratos vêm em porção individual, e nada obriga você a terminar tudo de uma vez. Esquenta, come metade e guarda o restante tampado na geladeira pra dali a algumas horas, no mesmo dia. O que não dá é devolver pro freezer: depois de descongelado, não recongela, porque o alimento já passou por uma faixa de temperatura em que o congelamento novo não desfaz o que aconteceu.

Na conta do dia isso muda bastante coisa. Um prato que vira duas porções pequenas cobre dois horários em que você não teria comido nada. E muda também a compra: montando kit, você paga preço de atacado e ainda garante variedade no freezer, o que importa mais do que parece quando o apetite decide na hora qual comida desce melhor.

Perguntas que a gente recebe

Quantas vezes por dia é o ideal pra comer com pouco apetite?

Não existe número fixo, depende de você e de como o apetite se comporta ao longo do dia. Tratei esse ângulo com mais detalhe no post sobre quantas refeições fazem sentido.

Se eu não sentir fome nenhuma, posso ficar sem comer naquele horário?

O ideal é não deixar isso virar rotina. Mesmo uma porção pequena mantém proteína e energia estáveis, e evita que a fome, quando finalmente chegar, venha exagerada.

Posso comer só sopa ou vitamina nos dias sem fome?

Como recurso pontual, ajuda, e nos dias ruins é melhor do que não comer nada. O cuidado é com o líquido virar o padrão da semana: uma sopa ou uma vitamina batida em casa enche o copo e costuma ficar bem abaixo da proteína de um prato com carne, frango ou peixe. Se a semana inteira estiver assim, vale conversar com quem acompanha você.

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Maria Flávia Badan

Nutricionista da Manhê, CRN-3 45975.

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